Criança atropelada é a sexta morte em acampamento no MS

Criança atropelada é a sexta morte em acampamento no MS

“Aqui perdi marido, dois filhos, um neto e uma tia. Agora, mais um neto”, lamenta liderança do tekoha Apyka’i, às margens da BR-463 (na foto, Gabriel aparece coçando a cabeça)

25/03/2013

Ruy Sposati

de Campo Grande (MS)

da Campanha Guarani

 

Uma criança Guarani-Kaiowá de quatro anos morreu atropelada na noite desta sexta-feira, 22. Ela morava no acampamento indígena Apyka’i, a sete quilômetros do centro de Dourados (MS), às margens da rodovia BR-463. O motorista do veículo fugiu do local sem prestar socorro a criança, e ainda não foi identificado.

Cerca de um mês antes, um indígena do tekoha foi atropelado por uma moto, que também não parou para prestar socorro. De bicicleta e acompanhado da esposa grávida, vinha caminhando pelo acostamento, quando foi atingido por uma motocicleta. “Me acertou e não parou, e entrou dentro da fazenda”, relata o homem, que está com pinos na perna fraturada.

Desde 2009, quando foram expulsos do território que tradicionalmente ocupavam, seis pessoas da comunidade faleceram – cinco por atropelamento. Todos parentes da principal liderança da comunidade, a Kaiowá Damiana Cavanha.

Ela explica que o nome do tekoha (aldeia), Apyka’i, em Guarani, signfica “banco pequeno”, “banquinho”. Para os Kaiowá, é no apyka’i que a criança fica sentada durante os nove meses de gestação. Mas o tom acalentador fica só no nome – dentro ou fora do feto, a realidade tem sido o desalento puro do genocídio, e o banco é um mero trecho de terra entre o asfalto e as cercas da fazenda.

Indígenas rezam onde estão enterradas vítimas de atropelamento (Foto: Ruy Sposati/Cimi)

“Aqui perdi meu marido, dois filhos, um neto e uma tia. E agora mais um neto”, lamenta Damiana. A morte da tia decorreu de contaminação por agrotóxicos utilizados nas plantações das fazendas que circundam a área. A liderança relembra o episódio: “minha tia velhinha tava no meio da plantação de trigo, sozinha lá. O avião passou três vezes jogando veneno. Meu filho correu pra me avisar. De noite, três da manhã, minha tia morreu. O cheiro muito forte, tia não aguentou, não. Morreu”. Segundo moradores da comunidade, o uso de agrotóxicos é recorrente. “Eles jogam muito veneno aqui. A última vez [o avião] passou de noite. Graças a Deus ninguém morreu [dessa vez]“.

Brinquedos sobre a cova da criança atropelada (Foto: Joana Ortiz/Cimi)

 

Todos os outros mortos foram vítimas de atropelamento. “Meu marido morreu aqui também. Ali, quando passa a ponte [aponta]. Morreu na hora. Enterramo aqui também. Ele tava de bicicleta. Bicicleta amassou tudo. O guri tava junto. O guri não morreu não, graças a Deus. Machucou só um pouquinho”, conta. “Perdi dois filhos. Dois guerreiros. Também atropelados. Esse ano. Um morreu numa semana, 15 dias depois morreu o outro”. Além dos dois filhos, Damiana também perdeu dois netos – a quem ela se refere igualmente como filhos -, vítimas de atropelamento.

Histórico

Segundo Damiana, as famílias de Apyka’i, também conhecida por Curral de Arame e Jukeri’y, estão acampadas há 14 anos às margens da BR-463, no trecho que liga os municípios de Dourados e Ponta Porã, na fronteira do Brasil com o Paraguai.

“Aqui nós somos 15 pessoas. Quando morava dentro da área, eram 130. Aí saiu, saiu… Foram indo para Kaarapó, Jaguapiru, Bororó, Nhuporã…”, conta Damiana.

Já houve duas tentativas de retomada do território originário, ocupado atualmente por grandes fazendeiros. A última ocorreu em junho de 2008. Os indígenas ocuparam uma pequena parte da Fazenda Serrana, próximo à mata da Reserva Legal da área, estabelecendo pequenas roças.

No período em que ficaram acampados ali, foram vigiados por uma empresa particular de segurança. A Funasa e Funai foram impedidas de prestar atendimento.

A ocupação durou até abril de 2009, quando a Justiça determinou a reintegração de posse em favor do fazendeiro. Desde então, o grupo está acampado à beira da rodovia.

Com a expulsão das terras, os índios foram obrigados a ocupar a outra margem da BR 463, por causa das obras de duplicação da rodovia. Cerca de vinte pessoas formaram o acampamento, onde foram construídos seis barracos.

Um dos maiores problemas dos indígenas de Apyka’i é a obtenção de água potável. Atualmente, eles se valem da água poluída de um córrego para beber, cozinhar e para higiene pessoal.

Um relatório do MPF-MS sobre a situação da comunidade de Apyka’i, publicado em 2009, afirmou que “crianças, jovens, adultos e velhos se encontram submetidos a condições degradantes e que ferem a dignidade da pessoa humana. A situação por eles vivenciada é análoga à de um campo de refugiados. É como se fossem estrangeiros no seu próprio país”.

Ataque


Barracos incendiados (Foto: Arquivo Cimi)

 

Em setembro de 2009, um grupo armado atacou o acampamento, atirando em direção aos barracos. Um Kaiowá de 62 anos foi ferido por tiros, outros indígenas agredidos e barracos e objetos foram queimados.

Damiana conta que o ataque, realizado a mando dos fazendeiros, ocorreu já depois que os indígenas foram despejados da área, e que teve relação com o uso da água de um córrego que fica dentro da área da fazenda. “Queimou barraco, roupa, queimou celular, bicicleta, tudo. Logo depois do despejo. Fizeram isso porque a gente queria pegar água, a gente pediu licença. Mas o seguranças [da fazenda] não deixam não”.

O ataque ocorreu por volta da 1h da madrugada, quando o grupo de índios dormia no acampamento improvisado construído no dia anterior na altura do km 10 da Rodovia BR-463, ao lado da Fazenda Serrana.

A fazenda

Segundo apuração da ONG Repórter Brasil, a propriedade foi arrendada para o plantio de cana-de-açúcar pela Usina São Fernando. A usina, por sua vez, é um empreendimento da Agropecuária JB (Grupo Bumlai) com o Grupo Bertin, um dos maiores frigoríficos da América Latina.

Instalada em Dourados (MS) em 2009, a Usina São Fernando é tocada por uma parceria da Agropecuária JB (Grupo Bumlai), especializado em melhoramento genético de gado de corte, e o Grupo Bertin, um dos maiores frigoríficos produtores e exportadores de itens de origem animal das Américas.

Na época, procurado para comentar o ataque aos indígenas, o Bertin, através de sua assessoria de imprensa, afirmou que “os seguranças da usina [São Fernando] não andam armados e não se envolveram em nenhum conflito. Não temos nenhuma notícia em relação ao fato e estamos apurando a informação. A Usina São Fernando não é proprietária de nenhuma terra na região”.

Já o diretor-superintendente da Usina São Fernando, Paulo César Escobar, confirmou que “existe um contrato de parceria agrícola entre a Usina e a Fazenda Serrana, ou seja, a usina planta cana na área de fazenda e divide os frutos com o proprietário”. Ele teria sido informado que “o conflito não ocorreu na área de plantio de cana (onde ocorre a parceria com a Usina São Fernando), mas em outra parte da fazenda”, o que contraria o parecer emitido pela Funai. O diretor também negou qualquer relação com a Gaspem, que teria sido contratada pelo proprietário da Fazenda Serrana. A Gaspem também foi procurada pela Repórter Brasil na época, mas não houve quem se manifestasse pela empresa.

Fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/12437#.UVH0YIiaO0U.facebook

Anúncios

MOÇÃO DE APOIO A LUTA DO POVO GUARANI KAIOWÁ

MOÇÃO DE APOIO A LUTA DO POVO GUARANI KAIOWÁ

Apoiamos a luta do povo Kaiowá e Guarani através da retomada de suas terras originais e contra os crimes cometidos pelos latifundiários e negligência do Estado.
Assinam:
BRAVA COMPANHIA (São Paulo – SP)
BURACO D`ORÁCULO (São Paulo – SP)
TRUPE ARTEMANHA DE INVESTIGAÇÃO TEATRAL (São Paulo – SP)
BANDA PRETO SOUL (São Paulo – SP)
CIA. ESTÁVEL DE TEATRO (São Paulo – SP)
CIA. RUANDEIROS (São Paulo – SP)
Grupo Teatral Parlendas (São Paulo – SP)
COLETIVO ALMA – Associação Aliança Libertária Meio Ambiente (São Paulo – SP)
Cia Teatro dos Ventos (Osasco/SP)
ROSA DOS VENTOS (Presidente Prudente – SP)
OS MAMATCHAS (Presidente Prudente – SP)
Grande Companhia Brasileira de Mysterios e Novidades-SP/RJ
Mamulengo Sem Fronteiras (Brasília – DF)
Grupo Teatro de Caretas (Fortaleza – CE)
Companhia de Teatro Esquadrão da Vida (Brasília – DF)
Associação Cultural Tropa do Balaco Baco (Arcoverde – PE)
Grupo TIA (Canoas – RS)
Coletivo Fulô (Natal – RN)
Grupo baião de dois  (Manaus- AM)
Folgazões Companhia de Artes Cênicas (Vitória – ES)
TEATRO ITINERANTE – RJ
Grupo Pau de Arara- DF
FUNDAÇÃO FÉ E ALEGRIA DO BRASIL
“Os brancos acham mesmo que estou sendo pacificada, mas posso testemunhar que ainda somos uma ameaça para o sistema capitalista, o agronegócio, a FAMASUL, porque seguimos escrevendo a nossa própria história”
VALDELICE VERON
Não é de hoje que os povos indígenas estão em luta. No Mato Grosso do Sul, o povo Guarani Kaiowá arrisca a própria vida para garantir o futuro dos seus descendentes e a proteção da natureza, através da luta pela reconquista de suas terras tradicionais. A luta pela manutenção do seu modo de vida, de sua cultura e a reprodução da sua relação com terra, faz com que os indígenas encontrem-se em confronto direto com o capital, enfrentando o agronegócio em expansão – incentivado e financiado pelo governo federal como forma de impulsionar a economia em tempos de crise global – o que significa, em última instância, a luta contra o atual modelo de desenvolvimento no campo.
Os recursos naturais existentes nas terras são fundamentais para a existência do povo indígena e, não bastando os crimes contra esta terra – o desmatamento, envenenamento do solo e das águas – há um processo e violência direta por parte dos fazendeiros e seus pistoleiros aos povos tradicionais, através de ameaças e assassinatos. Foram 273 lideranças mortas em nove anos e os criminosos estão impunes, passeando livremente em seus carros de luxo. Há um exemplo recente: No dia 16 de fevereiro de 2013,  um jovem da aldeia Tey ‘ikue foi assassinado, o fazendeiro Orlandino Carneiro Gonçalves assumiu a autoria do crime e, após prestar depoimento na delegacia, foi solto. Mas a Polícia Militar do Mato Grosso do Sul cumpre sua função ao realizar o despejo forçado de cerca de mil indígenas Guarani Kaiowás que ocuparam a fazenda em protesto contra este homicídio e todas as injustiças que vêm sofrendo há muito tempo naquele Estado.
 O extermínio e expulsão dos povos tradicionais de suas terras de origem são acompanhados pela negligencia e até mesmo cumplicidade dos órgãos estatais e a displicência das instituições que tem o compromisso com a causa indígena, que deveriam garantir a efetivação da Constituição de 1988 (que reconhece o direito a seus territórios tradicionais), mas que garantem apenas a continuidade do estado das coisas, pois, talvez, é o que assegure a existência destas instituições.
 Na década de 20, com a perspectiva de integrar as populações indígenas ao mundo ocidental – educando e orientando os índios ao trabalho – foram criadas oito reservas indígenas no Mato Grosso do Sul. As áreas foram escolhidas por funcionários federais do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) desrespeitando e desconsiderando os padrões étnicos de ocupação do habitat tradicional e as concepções territoriais dos indígenas.
“Estamos reivindicando o nosso direito pela nossa terra tradicional, o nosso direito pela vida e dignidade, porque nos não conseguimos mais viver, sobreviver nas reservas indígenas que um dia o governo impôs pra nós e, é por isso, que nós estamos de volta retomando o que um dia foi nosso, que é nossa terra tradicional. Porque é lá que a gente se reorganiza de novo, é lá que a gente tem a gestão territorial do povo Kaiowá e Guarani de volta, do nosso jeito de ser, com os nossos saberes próprios….essa 8 reservas indígenas são uma área de confinamento, uma área de abate pro povo Kaiowá e Guarani. O programa do governo, na época, era pra integração do povo indígena Guarani e Kaiowá, o qual nós nunca aceitamos e jamais vamos aceitar. (…) O povo Kaiowá Guarani sempre resistiu calado, só que agora nós não conseguimos mais ficar calados, porque estamos sendo mortos, assassinados.” VALDELICE VERON

ALDEIA TAKWARA: desmatamento continua!

 

ARRENDATÁRIO AMEAÇA COMUNIDADE DA ALDEIA TAKWARA EM MATO GROSSO DO SUL  

Arrendatário de uma porção da fazenda “Brasília do Sul”, situada dentro dos limites da Terra Indígena Takwara foi até a sede da aldeia para ameaçar as lideranças e avisar que o desmatamento continua!

desmatems

Como foi divulgado no último dia 22 de março, o extermínio das matas da aldeia Takwara ainda não cessou e os latifundiários da região além de desmatarem a única área preservada dentro dos limites da aldeia, passaram a ameaçar a comunidade e desta vez, os criminosos, de maneira ainda mais desinibida e truculenta, foram até a sede da aldeia para avisar que o desmatamento vai continuar. 

É sabido que a mata remanescente da região está sendo derrubada para a expansão da lavoura de cana já existentes ilegalmente dentro dos limites da aldeia.

Segundo lideranças locais, estimasse que hoje há cerca de 30 capangas armados que se revezam em turnos controlando a estrada de acesso, trilhas e fazem a vigília do maquinário usado e da operação.

Desde dezembro de 2012, o Tribunal Popular vem alertando sobre o acirramento do conflito contra os Guarani Kaiowá da Aldeia Takwara no município de Juti (MS). Os indígenas vem sofrendo todo tipo de violência, desde ameaças de morte a suas lideranças até a destruição das matas de seu território originário.

Em janeiro de 2013, foram registramos dois incêndios criminosos na aldeia, com a intenção clara de preparar o terreno para a ampliação do cultivo da monocultura cana-de-açúcar.

Diversas foram as ameaças contra as principais lideranças da aldeia, estas ameaças só foram amenizadas depois de muita pressão realizada pelos indígenas para que a Força Nacional fizesse uma intervenção e permanecesse por um período na área, até que fossem presos os jagunços que estão a serviço do fazendeiro Jacinto Honório da Silva. Lembramos que o Sr. Jacinto Honório não foi responsabilizado por mais esse delito.

A tensão instalada nesta região do Mato Grosso do Sul e a permanente omissão do Estado brasileiro sobre a resolução em definitivo da demarcação e homologação desta Terra Indígena, tem intensificado cada vez mais a violência por parte dos fazendeiros contra o povo Kaiowa e Guarani, o exemplo mais recente dessa prática foi a invasão de um dos arrendatários das terras da Fazenda Brasília do Sul (que se sobrepõem a Aldeia Takwara), para desmatar a última reserva florestal presente nesta área. Diversas testemunhas relataram ao Tribunal Popular que na manhã desta terça-feira (26/03) este arrendatário, foi até a Takwara, para fazer pessoalmente ameaças ao povo da aldeia.

O Tribunal Popular alerta mais uma vez que o governo brasileiro tem se omitido de forma criminosa em relação as demarcações e homologações das terras indígenas no Brasil e em particular com as terras do povo Kaiowa e Guarani.

As mazelas que ocorrem na Aldeia Takwara são de conhecimento de todos os poderes públicos municipais, estaduais e federal, em especial o poder executivo federal principal responsável por resolver esta situação. Há duas semanas, seis lideranças do povo Kaiowa e Guarani, estiveram em Brasília (DF) e novamente deram ciência ao Ministro da Justiça, Ministra da Casa Civil, Procuradoria Geral da República e FUNAI, sobre a situação desumana vivida cotidianamente pelos indígenas .

Caso o agravamento desta situação levar a morte ou mais violência contra o povo da Aldeia Takwara,será de inteira responsabilidade do governo federal que não honra qualquer compromisso que tenha feito com o povo Kaiowa e Guarani e os abandonou a própria sorte.

O que acontece em MS contra o povo Kaiowa e Guarani é um crime contra a humanidade e uma tentativa deliberada de exterminar os indigenas, fazendo com que aconteça assim um etnocídio.

O Tribunal Popular, vem exigir do Estado brasileiro:

1º A imediata demarcação e homologação de toda as terras reivindicadas pelo povo Kaiowa e Guarani;
2º A garantia que nenhum falso proprietário (grileiros) entre e destrua as terras do povo Kaiowa e Guarani;
3º A intervenção imediata para cessar o desmatamento da última reserva de mata existente na Aldeia Takwara
4º A segurança permanente da Polícia Federal e/ou Força Nacional nas áreas de retomada do povo Kaiowa e Guarani;
5º Responsabilidade aos fazendeiros pelos crimes cometidos e fim da impunidade;

O Tribunal Popular, conclama a todxs xs lutadores do povo a se unir na luta Guarani Kaiowá e dos povos indígenas .

Tribunal Popular: o Estado brasileiro no banco dos réus

DENUNCIEM!!!
Excelentíssima Senhora Presidenta da República: Dilma Vana Rousseff
gabinete@planalto.gov.br
sg@planalto.gov.br
Excelentíssima Senhora Presidenta da Fundação Nacional do Índio: Marta Maria Azevedo
marta@nepo.unicamp.br
ouvidoria@funai.gov.br
Ministério Público Federal de Dourados: Dr. Marco Antônio de Almeida
ascom@prms.mpf.gov.br
Ouvidoria Geral do IBAMA – Linha Verde Mato Grosso do Sul
abel@ms.ibama.gov.br

Carta da liderança Ládio Veron da área indígena em conflito Takuará-Juti-MS

Carta da liderança Ládio Veron da área indígena em conflito Takuará-Juti-MS

 

Sou Ládio Veron, conselho da Aty Guasu e líder do território em conflito Takuará, hoje 26/03/2013, por volta da 18h30min, de forma surpresa, chegou uma caminhonete de cor preta à minha casa em Takuará. Dois homens não-índios “brancos” desceram do veículo e os restantes permaneceram no interior da caminhonete. Um dos homens se apresentou como arrendatário da fazenda Brasília do Sul, o seu nome seria Ademir. Ele portou um papel na mão e começou a me falar. –“sou Ademir, arrendatário da fazenda Brasília do Sul”.  “Fiquei sabendo que vocês índios estão querendo impedir os meus tratores de fazer a derrubada do restante da mata ciliar”. “Por isso, vim te entregar uma cópia de autorização de documento do IMASUL que me autorizou para derrubar os restantes da mata ciliar que vou plantar a soja e cana”“Vocês índios não vão impedir o meu trabalho. Entendeu?” Assim, falou-me com tom da voz nervosa e entregou-me uma cópia de autorização/declaração Ambiental Eletrônica Nº 524/2013 do Instituto do Meio Ambiente do MS (IMASUL) que se encontra comigo. Diante disso, comecei a narrar para ele que a há uma ordem e decisão da justiça que impede da destruição da floresta aqui. Além disso, as ilhas das matas ciliares que senhor está derrubando ficam dentro da terra indígena demarcada e já reconhecida pelo Ministro da Justiça. Assim, falei e lhe entreguei também uma cópia de documento da Terra Indígena Takuara assinado e publicado no Diario Oficial da União pelo Ministro da Justiça. Ao pegar esse documento da T.I. Takuará, o arrendatário respondeu-me assim: – “esse documento teu para nós não tem validade não!, portanto não presta não!”, “esse documento teu não vai impedir o meu trabalho aqui”, “ o meu documento que vale aqui”.

Falei também para ele que nossa comunidade vai tentar impedir da derrubada da mata ciliar sim. Nosso documento tem que valer sim. Na situação em que, o arrendatário ficou nervoso e prometeu-me que vai ter voltar falar comigo, mas de outra forma. Senti me ameaçado, por isso, respondi que retornarei a falar com ele só perante das autoridades da justiça federais.

 

De fato, já faz seis (06) dias que esse arrendatário introduziu 12 tratores grandes para derrubar as matas ciliares, e começaram a derrubar tudo, devastando as ilhas das matas localizadas no interior da Terra Indígena Takuara demarcada pelo Governo Federal. Frente à derrubada e destruição de nossa mata onde há ainda plantas medicinais, etc, ontem 25/03/2013, nós lideranças da T.I. Takuara fomos até MPF/Dourados-MS onde registramos o fato acontecido com os restantes da floresta. Em decorrência disso, hoje, o arrendatário Ademir passou a me intimidar e ameaçando-me a fim de parar de denunciar a derrubada da mata pelo arrendatário Ademir. Vim por meio dessa carta, mais uma vez, solicitar a providência cabível ao fato relatado.

Aguardamos a posição e ação urgente das autoridades federais.

Atenciosamente,

 

Tekoha Guasu Takuará-Juti-MS, 26 de março de 2013.

 

Ládio Veron

Conselho da Aty Guasu e líder da Terra Indígena Takuara

 

URGENTE! ALDEIA TAKWARA (JUTI – MS) – fazendeiros realizam desmatamento em território indígena

URGENTE! ALDEIA TAKWARA (JUTI – MS)

fazendeiros realizam desmatamento em território indígena

FAZENDEIROS CRIMINOSOS INICIAM O DESMATAMENTO ILEGAL DENTRO DA TERRA INDÍGENA TAKWARA NO MUNICÍPIO DE JUTI-MS. AS ÚNICAS ÁREAS DE MATA QUE AINDA NÃO TINHAM SIDO EXTERMINADAS PELOS LATIFUNDIÁRIOS (PECUARISTAS, CANAVIEIROS E SOJICULTORES)ESTÃO SENDO DERRUBADAS NESTE MOMENTO PARA DAREM LUGAR

AS MONOCULTURAS DO AGRONEGÓCIO.

Os arrendatários da fazenda “Brasília do Sul”, que hoje encontra-se sob posse – questionada na justiça – do latifundiário Jacinto Honório da Silva, iniciaram ontem (21 de março de 2013)o desmatamento das duas áreas de mata que ainda restam dentro dos 9.700ha da Terra Indígena Takwara. Com forte aparato mecânico e grande equipe de tratoristas, os latifundiários estão concretizando uma ameaça que os indígenas já indicavam desde o ano de 2012: a pequena parte de floresta ainda encontrada na aldeia de onde é possível extrair os remédios, realizar a caça e coleta de sementes está nesse momento sendo reduzida a solo nu pelos empresários da terra.

De acordo com os Kaiowa e Guarani da Aldeia Takwara as terras originárias, encontram-se hoje completamente degradadas, são terras que estão doentes, que vem sendo exploradas pelos fazendeiros latifundiários até o seu limite. Os solos, as águas estão contaminados pelo uso indiscriminado dos agrotóxicos, as florestas foram devastadas e as plantas, animais e eles mesmos já não conseguem mais sobreviver em meio a monocultura de soja e cana-de-açúcar. No vídeo http://www.youtube.com/watch?v=zPsl-J6Q2fM realizado em Janeiro de 2013, durante o período do “Acampamento de Observadores” é possível observar que esta ação dos fazendeiros, como dissemos, já era prevista pelos indígenas da aldeia. Do mesmo modo, advertimos que em 18 de dezembro de 2012 foi protocolado, junto ao Ministério Público Federal (MPF), um documento do povo Kaiowa e Guarani denunciando a ameaça de extermínio das matas da aldeia.

Lembramos que após terminado o trabalho da Funai, a Terra Indígena Takwara foi reconhecida, porém teve sua portaria cancelada em 2010, tornando a área litigiosa. Ou seja, hoje a aldeia Takwara encontra-se em litígio, o que torna a ação dos fazendeiros ilegal. Nesse sentido, o MPF foi novamente acionado nesta manhã de sexta-feira (22 de março) e espera-se que consigam agir rapidamente para barrar a ação desses criminosos, tendo em vista que boa parte da biomassa já foi derrubada.

Os indígenas da aldeia Takwara estão defendendo seu território, apresentando resistência aos fazendeiros e seus capangas que estão fortemente armados. Caso, mais uma vez, não haja intervenção efetiva do Estado, esta situação poderá terminar com mais uma tragédia em Mato Grosso do Sul.

Tribunal Popular: o Estado brasileiro no banco dos réus

Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=zPsl-J6Q2fM

DENUNCIEM!!!

Excelentíssima Senhora Presidenta da República: Dilma Vana Rousseff

gabinete@planalto.gov.br

sg@planalto.gov.br

Excelentíssima Senhora Presidenta da Fundação Nacional do Índio: Marta Maria Azevedo

marta@nepo.unicamp.br

ouvidoria@funai.gov.br

Ministério Público Federal de Dourados: Dr. Marco Antônio de Almeida

ascom@prms.mpf.gov.br

 

INFORMATIVO DA ATY GUASU CONTRA GENOCÍDIO (23 DE MARÇO DE 2013)


mortoÉ COM PROFUNDO PESAR, VIMOS INFORMAR A TODOS (AS) QUE MENINO GUARANI-KAIOWÁ DE 4 ANOS DO ACAMPAMENTO DA MARGEM DA RODOVIA PONTA PORÃ E DOURADOS FOI ATROPELADO E DILACERADO PELO CARRO DAS FAZENDAS. À NOITE DO 22/03/2013, UM CARRO SEGUIU E TENTOU ATROPELAR UM GRUPO DE FAMÍLIA GUARANI-KAIOWÁ DO ACAMPAMENTO DE TEKOHA APYKA’I, OS ADULTOS CORRERRAM MAS A CRIANÇA NÃO CONSEGUIU SE ESQUIVAR DO CARRO. ASSIM O CARRO PISOU E DILACEROU O MENINO, O CONDUTOR DO VEICULO FEZ ISSO E FOI EMBORA EM ALTA VELOCIDADE DO LOCAL. COM ESSE MENINO JÁ SÃO CINCOS GUARANI-KAIOWÁ ATROPOLEDOS E DILACERADOS PELO CARRO DAS FAZENDAS NESSA MESMA RODOVIA BR. EM UM ANOS, 03 TRÊS GUARANI-KAIOWÁ DO ACAMPAMENTO INDÍGENA DE APYKA’I FORAM ATROPELDOS DE FORMA IGUAIS PELO CONDUTOR, VISIVELMENTE O ATROPELAMENTO OCORREU DE MODO INTENCIONAL, ISTO É, NÃO É ACIDENTE NÃO. PEDIMOS A TODAS AUTORIDADES FEDERAIS PARA INVESTIGAR E PUNIR OS MANDANTES E OS AUTORES DESSE CRIME BÁRBARO E DESUMANO.
LIDERANÇA DESSE ACAMPAMENTO GUARANI-KAIOWÁ APYKA’I JÁ TEM COMUNICADO A TODAS AUTORIDADES FEDERAIS QUE ELES ESTÃO AMEAÇADOS DE MORTE PELOS JAGUNÇOS DOS FAZENDEIROS QUE RODAM TODAS AS NOITES O SEU ACAMPAMENTO, TENTANDO QUEIMAR AS BARRACAS DELES, ENVENANDO A ÁGUA DA COMUNIDADE INDÍGENA. PRIMEIRO, UM LÍDER RELIGIOSO IDOSO FOI ATROPELADO E DILACERADO PELO FAZENDEIRO. ONTEM A NOITE FOI O NETO. ESSES FAZENDEIROS SÃO EXTREMAMENTE CRUEIS. ASSIM, SÃO OS 5 GUARANI-KAIOWÁ DAS MESMAS FAMÍLIAS FORAM ATROPELADOS E DILACERADOS PELOS FAZENDEIROS. PEDIMOS A JUSTIÇA, HÁ ANÚNCIO DOS FAZENDEIROS DAS REGIÕES DO SUL DE MS QUE PRATICARÃO, DE FORMA PLANEJADA, AS DIVERSAS VIOLÊNCIAS BARBARAS CONTRAS OS GUARANI-KAIOWÁ REIVINDICANTES DAS TERRAS TRADICIONAIS. REPUDIAMOS ESSAS AÇÕES CRUEIS E DESUMANAS DOS FAZENDEIROS DO SUL DE MS.

ATENCIOSAMENTE,

TEKOHA GUASU,23 DE MARÇO DE 2013
CONSELHO DA ATY GUASU CONTRA GENOCÍDIO

http://www.midiamax.com/view.php?mat_id=843017

http://www.douradosnews.com.br/dourados/crianca-morre-atropelada-proximo-a-pedreira-br-463

Uniao Campo Cidade e Floresta

do site Combate ao Racismo Ambiental

Representantes dos povos Guarani-Kaiowá e Ñandeva pediram apoio para resolução de problemas em suas aldeias

A subprocuradora-geral da República Gilda Pereira de Carvalho, representando a 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal (populações indígenas e comunidades tradicionais), recebeu na tarde desta terça-feira, 12 de março, líderes indígenas Guarani-Kaiowá e Ñandeva de aldeias no Mato Grosso do Sul. O grupo veio a Brasília em busca de reuniões com autoridades de vários órgãos, entre eles, o Ministério da Justiça, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o Supremo Tribunal Federal e a Fundação Nacional do Índio. O objetivo é dar visibilidade e buscar soluções para os problemas que têm enfrentado.

Os líderes reclamaram da demora na demarcação das terras que tradicionalmente ocupam, processo garantido pelo artigo 231 da Constituição Federal e apoiado pelo MPF. Também apontaram que a falta de regularização…

Ver o post original 209 mais palavras