ATO GUARANI KAIOWÁ FAZ DENUNCIA E EXIGE DEMARCAÇÃO DAS TERRAS

Fonte: http://revistarever.com/2013/01/17/ato-guarani-kaiowa-faz-denuncia-e-exige-demarcacao-das-terras/

Direto da aldeia Taquara, em Juti, jornalista de REVER relata sentimento de revolta dos indígenas em um ato público que exigia justiça e a demarcação das terras

ATO GUARANI KAIOWÁ FAZ DENUNCIA E EXIGE DEMARCAÇÃO DAS TERRAS

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*por Pedro Alves
(Aldeia Taquara, Juti-MS)

Era um dia nublado. Lideranças indígenas do povo Guarani Kaiowá se preparavam para o grande ato em defesa de suas terras tradicionais. A matriarca, Dona Júlia, pintava as crianças e as mulheres. O vermelho e o preto davam cores aos rostos dos Guerreiros e Caciques. Mais um dia de luta em defesa das terras indígenas. Mais um dia de resistência com a força dos que tombaram em defesa do povo Kaiowá Guarani.

No último dia 13, diversas lideranças estiveram presentes na terra indígena Taquara, munícipio de Juti, para o ato em homenagem ao Cacique Marco Veron, assassinado no dia 13 de janeiro de 2003 a mando do fazendeiro Jacinto Honório da Silva Filho, proprietário da Fazenda Brasília do Sul.

Com cartazes levantados, os kaiowás exigiam a demarcação de suas terras e denunciavam as atrocidades cometidas à segunda maior nação indígena do país. Durante o percurso do ato, os guerreiros ecoavam gritos de ordem. “A terra é nossa, queremos demarcação já!”.

Assassinatos

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Com uma grande faixa, os Caciques erguiam os nomes das lideranças assassinadas na luta pela terra indígena no território do Mato Grosso do Sul. Em nove anos mais de 273 lideranças foram assassinadas por jagunços a mando de fazendeiros. Muitos dos casos ainda não foram respondidos pela justiça, como é o caso do Cacique Nísio Gomes, da aldeia Guayviry, assassinado no dia 18 de novembro de 2011. Até hoje, o corpo da liderança indígena não foi encontrado.

Atropelamento : “acidente” que mata indígenas

Casos de morte de indígenas por atropelamento também foram denunciados. No dia 25 de julho, após voltar da Cúpula dos Povos, o indígena José Barbosa Almeida, mais conhecido como Cacique Zezinho, líder da terra indígena Laranjeira Nhaderu, foi atropelado por uma ambulância na BR 163 vinda do munícipio de Vicentina.

O local do “acidente” ocorreu próximo ao trevo de acesso ao munícipio de Rio Brilhante, região onde os carros transitam a baixa velocidade. O Cacique foi jogado a uma distância de 7 metros morrendo por traumatismo craniano.

Retomar, Resistir, Produzir

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Diante do atraso histórico da demarcação e homologação das terras indígenas, o Cacique Marco Veron foi uma das principais lideranças indígenas que impulsionou o processo de retomada das terras Kaiowá Guarani nos anos 2000. Apesar dos assassinatos e ameaças declaradas no território do Mato Grosso do Sul contra os indígenas, a luta pela terra tradicional, segundo o Cacique Ládio Veron, é imprescindível. “Não calaremos diante das ameaças, não desistiremos das nossas terras, se uma liderança tombar, dez irão se levantar”.

*Pedro Alves é jornalista e enviado especial de REVER para a aldeia Taquara.

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