Informativo nº 04 – Acampamento Internacional de Observadores dos Guarani Kaiowá em MS

Informativo nº 04

Laranjeira_040

 

CLIQUE NO LINK “Informativo nº 04” acima da foto para acessar o pfd do Informativo completo com imagens!

Informativo nº 04 – Acampamento Internacional de Observadores dos Guarani-Kaiowá em Mato Grosso do Sul

 

*Para acessar a maioria dos vídeos desta nota é necessário fazê-lo por meio do Dropbox, acessando o link disponibilizado.

A comunidade de Laranjeira Nhanderu ocupou, em 2008, parte da Fazenda Santo Antônio da Nova Esperança, município de Rio Brilhante – MS. Os indígenas afirmam que são descendentes dos indígenas que ocupavam tradicionalmente aquele território, hoje invadido por plantações principalmente de soja. O que exigiam do governo com aquela retomada era a constituição do Grupo Técnico de identificação e delimitação de seu território indígena. Contudo, apesar de a FUNAI, na época, ter se comprometido a iniciar tais estudos em 30 dias, não o fez. Concedido mais prazo pela justiça para tanto, tampouco foi cumprido, tendo sido determinada a reintegração de posse pelo Tribunal Regional Federal – 3ª Região.

Nesse contexto, a comunidade foi retirada do local contra sua vontade e sem nenhuma garantia de direito à terra ancestral. Segundo o relato concedido em janeiro de 2012, durante a I Expedição “Cacique Marco Veron”, pelo cacique Zezinho, que morreu “atropelado” após sua participação na “Rio + 20”, no momento da reintegração, um trator passou por cima da aldeia derrubando tudo: as casas, a casa grande, plantações de subsistência, etc. Na ação foram tomados dos indígenas suas poucas roupas, utensílios domésticos, redes, colchões, e demais pertence,. tendo lhes sido dito que em 48 horas tudo seria devolvido, e que eles aguardassem na estrada. Mas não foi que aconteceu. Ao invés disso, compareceram homens da Sepriva (seguranças privados ligados à Federação Agropecuária do Mato Grosso do Sul – FAMASUL) e queimaram tanto as coisas quanto as casas.

Seis jovens correram para tentar conseguir recuperar alguma coisa ainda não danificada ou destruída, mas tiveram suas flechas retiradas e foram amarrados pela milícia armada dos fazendeiros, com os braços para trás, segurando suas cabeças e fazendo-os olharem enquanto tudo queimava. Depois os levaram para a beira da estrada, cuspindo em seus rostos e dizendo que eles não deveriam mais entrar naquela terra.

Outra situação de bárbara violência ocorreu a um indígena que estava caçando no momento do despejo, e ao retornar ao local, encontrou tudo em chamas. Quando os demais indígenas perceberam sua ausência e foram procurá-lo, ele estava amarrado sendo trazido pela Sepriva, e tiveram que exigir que ele fosse solto.

Assim, a comunidade foi para a beira da estrada BR-163, em condições precárias, sem estrutura para as casas, sem água, sem alimento, sujeitos a alagamentos, exposição à rodovia, etc. Enquanto lá estiveram, morreram sete homens por atropelamento em intervalos de poucos meses, sendo o último deles um menino de 15 anos. Nesses casos, os carros sequer pararam para verificar o que ocorreu, indicando que se tratava de assassinatos intencionais.

Estas condições miseráveis de sobrevivência e marcadas pelas mais diversas formas de violência levaram-nos à retomada da terra em 2011. Assim que reocuparam um trecho da área de reserva legal da Fazenda, capatazes armados com revólveres e espingardas foram enviados, enquanto que o dono da fazenda mentiu à Polícia Federal ao dizer que os índios acamparam na soja, para forjar uma intervenção no local.

A inércia por parte da FUNAI, da Justiça e do Governo Federal na realização da demarcação e homologação da terra indígena Laranjeira Nhanderu é motivo para o acirramento dos conflitos e violência vivenciados pelos indígenas, além de impor-lhes uma condição de grande vulnerabilidade e falta de acesso a direitos básicos como saúde, educação, etc.

Hoje a comunidade encontra-se em novo processo de retomada de seu território ancestral, iniciada na segunda quinzena do mês de dezembro de 2012. Estão, portanto, em processo de luta!

Fato grave que ocorre em Laranjeira Nhanderu é que o acesso para a comunidade se dá entre a Fazenda Inho, de questionável posse de José Raul das Neves, pai do presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) em Rio Brilhante, e a Fazenda Santo Antônio da Nova Esperança, por meio das plantações de soja que invadem seu território tradicional. No entanto, os latifundiários bloqueiam o acesso à aldeia colocando troncos ou globos de arado na entrada da estrada, impedindo o direito de ir e vir dos indígenas.

Como já denunciado pela I Expedição “Cacique Marco Veron”(realizada pelo Tribunal Popular: o Estado no banco dos réus), a perua que leva as crianças à escola é impedida de entrar para buscá-las, fazendo com que tenham que caminhar aproximadamente 4 km e tenham que levantar quando ainda é de noite. Além disso, quando há pessoas que ficam doentes elas tem imensa dificuldade de se deslocar para serem socorridas, e as ambulâncias não podem chegar até a aldeia para realizar o resgate, já tendo ocorrido diversos casos de morte.

Na Aty Guasu realizada entre os dias 28 de novembro e 01 de dezembro na Aldeia Lagoa Rica – Panambi, a presidente da FUNAI, Marta do Amaral Azevedo, que assumiu o cargo no começo do ano de 2012, após a denúncia e o questionamento feito pela liderança Farid sobre o fechamento do acesso da aldeia por parte dos fazendeiros, se comprometeu a imediatamente garantir a abertura da estrada.

No vídeo em anexo pode-se ver a fala proferida por Marta, onde ela diz que “sobre essa questão do bloqueio de Laranjeira Nhanderu a Polícia Federal, Força Nacional e FUNAI foram lá agora resolver isso”.

(tal vídeo encontra-se disponível neste link)

Contudo, tal garantia não foi cumprida! Membros do Acampamento Internacional de Observadores dos Guarani Kaiowá foram até a aldeia Laranjeira Nhanderu levar parte das doações de alimento e roupas obtidas por meio da campanha de arrecadação impulsionada pelo Comitê Internacional de Solidariedade aos Guarani Kaiowá, e, ao chegarem ao local, depararam-se com o acesso impedido pelo bloqueio realizado com troncos fincados com profundidade no solo, conforme se pode ver clicando aqui.

As dificuldades vivenciadas pela comunidade indígena, ao ter sua locomoção limitada pelos latifundiários, com a conivência da FUNAI, a coloca em verdadeira situação de cativeiro fechado! Dentre os episódios que culminaram na morte de indígenas, dois são bastante recentes:

– Em novembro de 2012, Mariano Valdir de Lima, aos 44 anos, teve um ataque cardíaco e não pôde ser socorrido pela ambulância de imediato, visto que sua passagem foi impedida. Assim, os indígenas, com um esforço muito grande, visto se tratar de um homem de estatura alta e peso elevado, tiveram que carregá-lo por 4 km até a estrada onde se encontrava a ambulância. Ao chegar ao hospital não resistiu e morreu. Segundo os médicos a morte se deu devido à demora na realização do atendimento.

– Em 9 de dezembro de 2012, Augusto, também de Laranjeira Nhanderu, passou mal e não pôde ser atendido pela ambulância, impedida novamente de entrar. Indignados, e procurando impedir mais mortes, os indígenas arrancaram os troncos fincados profundamente no chão, e abriram espaço para que a ambulância passasse pela lateral da porteira, por cima da plantação. Mas neste caso, também foi tarde demais.

Assim, os Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul estão morrendo seja pela ação dos jagunços a mando daqueles que expropriam suas terras tradicionais, seja pela omissão do Estado que impede seus direitos mais básicos.

Por fim, importante mencionar que as ameaças de morte às lideranças são bastantes presentes nesta comunidade. Conforme denúncia de Farid, que, ao relatar as dificuldades que os indígenas de Laranjeira Nhanderu tiveram para apresentar essas questões à FUNAI durante a referida Aty Guasu, conta como os fazendeiros tentaram “comprar” sua morte e de outras lideranças:

Conforme pode ser visto neste vídeo.

Mais informações: https://solidariedadeguaranikaiowa.wordpress.com/

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