Nota da Associação dos Geógrafos Brasileiros – AGB – sobre a “Expedição Marco Veron” e a luta do povo Kaiowá-Guarani em Mato Grosso do Sul

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Apresentação

Essa nota de pesquisa expõe uma parte das vivências e experiências adquiridas e realizadas pelos geógrafos da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) que participaram da Expedição “Marco Veron”, em Janeiro de 2012. Mais que uma saída a campo para reafirmar teses ou confirmar hipóteses, este trabalho diz respeito ao movimento concreto que vem sendo construído historicamente pela AGB, que assume, em seu cotidiano, reivindicações, demandas e ações conjuntas com os movimentos populares.

Importante destacar que essa construção histórica não é algo linear. A aproximação da AGB com a luta dos movimentos populares decorre de um posicionamento político que revela, sobretudo, a disputa pela própria concepção da Entidade. Este compromisso hoje assumido em âmbito nacional pela AGB, é imanente à atuação da Diretoria Executiva Nacional (DEN), Seções Locais e Grupos de Trabalho locais e nacionais que as compõem.

É nesta perspectiva que a AGB reconhece junto ao Tribunal Popular – responsável pela
articulação da Expedição “Marco Veron”- a importância da luta do povo Kaiowá-Guarani na retomada de seus territórios originais em Mato Grosso do Sul (MS). Desde sua criação, em 2008, o Tribunal Popular tem se consolidado como um espaço de discussão e acúmulo de diversos movimentos populares que enfrentam a ordem hegemônica estabelecida.

O conflito que envolve o povo Kaiowá-Guarani passa a ser debatido por estes movimentos populares durante o processo de construção do Tribunal Popular da Terra, em 2010. Esta demanda foi levantada, de forma urgente, em função do extermínio dos indígenas em uma disputa que envolve a reprodução do capital territorializado em MS. E, neste sentido, esta questão foi objetivada por meio de um esforço coletivo que deu início ao processo de construção da expedição.

Composta por educadores, psicólogos, historiadores, geógrafos, advogados, jornalistas,
cineastas, fotógrafos e militantes do Tribunal Popular, a expedição partiu de São Paulo – SP, no dia 10 de janeiro de 2012 rumo à porção sul do Mato Grosso do Sul , percorrendo os municípios de Dourados, Rio Brilhante, Caarapó, Juti, Amambaí, Paranhos, Coronel Sapucaia e Aral Moreira.

Salutar lembrar que a situação de conflito que envolve os Kaoiwá-Guarani, no sul do Mato Grosso do Sul, não se restringe às aldeias visitadas pelos geógrafos que serão aqui relatadas, quais sejam: Laranjeira Nhánderu, Takwara, Guyra Roká, Passo Pirayu, Arroyo Korá e Kurusu Ambá.

Destaca-se que esta nota não pretende contemplar e/ou resolver todas as dimensões do conflito vivido pelos Kaiowá-Guarani em sua demanda pela suas terras originárias. O que pretende- se com este texto – que trará, primeiramente, uma breve contextualização histórica da região no que tange à questão agrária e indígena, seguido de uma sistematização das vivências e experiências nas aldeias citadas acima – é elucidar as diversas formas de violência que este povo indígena vem sofrendo em função da apropriação capitalista de suas terras e deste modo, em alguma medida, aproximar a comunidade geográfica deste debate.

leia mais no site da Associação dos Geógrafos Brasileiros – AGB: http://www.agb.org.br/documentos/2012/GuaraniKaiowa.pdf

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