Guarani-Kaiowás recebem passeata de apoio em Botucatu-SP

Por Sérgio Viana

Assim como milhares de outras cidades brasileiras, Botucatu carrega em seu próprio nome traços de cultura indígena (do Tupi, Ybytu-katu significa “bons ares ou ventos). No entanto, não foi esse o motivo que levou mais de cem botucatuenses às ruas neste último sábado (27).

Sensibilizados pela publicação de uma carta da comunidade Guarani-Kaiowá, que denuncia o descaso, torturas, assassinatos e, por fim, o despejo de índios de uma terra ocupada há centenas de anos por eles, jovens estudantes criaram um evento pelo Facebook chamando amigos e conhecidos para participar de uma passeata pela causa indígena. Além do convite, uma série de informações sobre o caso e a discussão de como a passeata seria organizada foram discutidas via rede social. No total, foram convidadas mais de 5 mil pessoas, das quais 448 confirmaram que participariam da manifestação.

A concentração de pessoas começou a partir das 15 horas na Praça do Bosque, região central de Botucatu. Alguns já vieram totalmente preparados com cartazes, instrumentos e caras pintadas de vermelho e preto – cores tipicamente usadas pelos índios Guaranis –, outros puderam se aproveitar de tintas e cartolinas e produzir seu próprio material ali, pouco antes de tomarem o principal corredor comercial da cidade escoltados pela Guarda Civil Municipal.

Ao longo do caminho, os manifestantes tocaram musicas, deram gritos de apoio à comunidade Guarani-Kaiowás e distribuíram panfletos com informações sobre o que está acontecendo com os índios no Mato Grosso do Sul.

Os organizadores já esperavam que o número de adeptos reais ao movimento seria menor do que os virtuais (no Facebook). “Pode parecer que não foi muita gente, mas foi muito importante, pelo menos, que tantos tenham visto que nós estávamos preocupados com essa causa”, afirma Raul Micheleto, 18, estudante de cursinho pré-universitário, que iniciou o movimento com Malvina Parré, estudante de Medicina Veterinária da Unesp/Botucatu.

Ao fim do percurso, os mais de cem participantes se concentraram em outra praça da região central e puderam ouvir e dar depoimentos sobre a causa e a participação na passeata. A professora Nora Santos Silva, 56, se disse impressionada com a reunião de pessoas de diferentes gerações por uma mesma causa. “O sentimento que fica é de que os índios, mais uma vez, nos ensinam que o coletivo é forte. O coletivo é o melhor remédio para uma sociedade que prega tanto individualismo”, comentou.

A esperança de quem participou da passeata é que somadas diversas outras ações pela mesma causa o Governo Federal, do Estado do Mato Grosso do Sul e a Justiça Federal, se manifestem e interfiram no caso, impedindo o despejo, garantindo segurança aos índios contra os fazendeiros e jagunços e demarcando definitivamente as terras que deveriam ser dos índios por direito.

Raul e outros colegas disseram que a passeata pelos índios Guarani-Kaiowás foi o primeiro passo para a criação do Movimento de Ativismo Social Botucatuense (MASB), que tratará de levantar questões e promover o debate sobre temas sociais, ambientais e de Direitos Humanos.

 

Ação Beneficente

Também para ajudar à comunidade Guarani-Kaiowá o MASB está recebendo doações de alimentos, que serão levados até os índios do MS diretamente ou através de um comitê central da causa, que está sendo organizado em São Paulo.

Em Botucatu, os alimentos não perecíveis devem ser entregues durante o horário comercial no Núcleo de Orientação Integral da Aprendizagem (NOIA), que fica na Rua Amando de Barros, 1058, no Centro (com entrada também pela Rua João Passos).

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