ATO EM SOLIDARIEDADE AO POVO GUARANI KAIOWÁ EM BRASÍLIA DIA 31/10/2012 AS 10H

ÍNDIO É TERRA, NÃO DÁ PARA SEPARAR!

CONTRA O SILÊNCIO DAS AUTORIDADES FRENTE À PERPETUAÇÃO DE MASSACRES A INDÍGENAS BRASILEIROS, EM ESPECIAL À COMUNIDADE DOS GUARANI-KAIOWÁ, AMEAÇADOS PELA JUSTIÇA E POR FAZENDEIROS COM SEUS JAGUNÇOS!

Dia: 31/10/12
Horário: 10h, concentração, 11h Marcha!
Concentração: Museu da República

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PAUTAS:

1) Exigência de demarcação das terras dos Guarani-Kaiowá, JÁ;
2) Exigência de demarcação das demais terras indígenas do Brasil;
3) Punição exemplar para os fazendeiros que se envolveram com milícias, tal como aos pistoleiros;
4) Revogação da portaria 303 da AGU, atualmente em tramitação;
5) Explicações do ministro Gilmar Mendes sobre ter revogado a decisão do Lula;
6) Fim da violência contra os Kaiowá e todas as demais etnias indígenas brasileiras, com punição para quem voltar a cometer tais atos.
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Até quando escutar calado? Até quando não se rebelar? Até quando a impunidade à elite bandida será a lei neste país? Conforme circula nas mídias não governistas, o Estado do Mato Grosso do Sul, na região de fronteira com o Paraguai, em Paranhos, vêm presenciando ataques a indígenas ali residentes, principalmente aos caciques das tribos, prática já antiga, mas que nos últimos meses intensificou-se alarmantemente. Perseguidos e assassinados, sofrendo sistemáticas violações do direito à terra que habitam desde o século XVIII, na ocasião do dia 18 de Agosto deste ano a comunidade indígena dos Guarani-Kaiowá reuniu-se e redigiu uma nota, em que pediam apoio ao governo brasileiro e à comunidade internacional, ao mesmo tempo que já à ocasião afirmaram de todo modo que resistiriam até a morte coletiva se preciso fosse. A cara do perigo é o agronegócio. Os agressores diretos são pistoleiros a mando de fazendeiros da região que, em vídeo divulgado recentemente, declararam guerra aos índios, destacando a fácil disponibilidade de armas, situados que estão na fronteira com o Paraguai. Mas a carta do dia 18 de Agosto passou calada, e agora nova carta surgiu…

Divulgada dia 08 de Outubro*, desta vez a carta dos Guarani-Kaiowá de Paranhos notificou a todos que os 170 membros da tribo que ainda restam (50 homens, 50 mulheres e 70 crianças) – de um total de 43 mil que ainda compõem a etnia, mesmo assim a segunda maior do país – desistem de escaparem vivos, mas não abdicam de permanecerem em suas terras. Leiam este trecho da carta:

“Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação e extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais. Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal. Decretem a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e enterrem-nos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem mortos.”

Note-se que não há qualquer alusão à intenção de cometerem “suicídio coletivo”, como foi divulgado equivocadamente. Em todo caso, dado que a situação dos Guarani-Kaiowá é tensa e delicada, o suicídio individual é crescente. Em verdade, como destacou Eliane Brum, colunista da revista Época, aumentou muito a prática de suicídio da etnia, que tem hoje um uma das taxas mais elevadas do mundo:

“A cada seis dias, um jovem Guarani Caiová se suicida. Desde 1980, cerca de 1500 tiraram a própria vida. A maioria deles enforcou-se num pé de árvore. Entre as várias causas elencadas pelos pesquisadores está o fato de que, neste período da vida, os jovens precisam formar sua família e as perspectivas de futuro são ou trabalhar na cana de açúcar ou virar mendigos. O futuro, portanto, é um não ser aquilo que se é. Algo que, talvez para muitos deles, seja pior do que a morte.

Um relatório do Ministério da Saúde mostrou, neste ano, o que chamou de “dados alarmantes, se destacando tanto no cenário nacional quanto internacional”. Desde 2000, foram 555 suicídios, 98% deles por enforcamento, 70% cometidos por homens, a maioria deles na faixa dos 15 aos 29 anos. No Brasil, o índice de suicídios em 2007 foi de 4,7 por 100 mil habitantes. Entre os indígenas, no mesmo ano, foi de 65,68 por 100 mil. Em 2008, o índice de suicídios entre os Guaranis Caiovás chegou a 87,97 por 100 mil, segundo dados oficiais. Os pesquisadores acreditam que os números devem ser ainda maiores, já que parte dos suicídios é escondida pelos grupos familiares por questões culturais.”

Os Guarani-Kaiowá desistiram de continuar lutando contra a “marcha para o oeste”, que selou para o Brasil, desde 1500 até hoje, o paradigma da colonização pelo progresso. Optaram assim por vivendo ou morrendo, permanecerem nas terras que lhes pertencem de direito, mas que agora, tomadas de fato por fazendeiros e seus jagunços armados, que tem ainda a tutela da portaria 303 da AGU, atualmente em tramitação, que entre outros abusos,

“permite a proibição de novas demarcações e revisão daquelas que não se adequem às condicionantes do STF. Também autoriza a implantação em territórios indígenas de unidades, postos e demais intervenções militares, malhas viárias, empreendimentos hidrelétricos e minerais de cunho estratégico, sem consulta aos povos e comunidades. Afeta, ainda, a autonomia em relação ao usufruto das terras.”

Nessa hora, dentre tantas indagações, surge a dúvida capital: de que lado o Estado Brasileiro está? A quem beneficia? Vemos recorrentemente centenas senão milhares de policiais mobilizados para despejarem famílias de baixa renda em cidades como São Paulo, higienizando as ruas e favorecendo a especulação imobiliária. Isso deve acabar!

Em Brasília, quando as empreiteiras conseguiram (passando por cima de tudo e todos, inclusive da própria legislação) licitações para iniciarem suas obras no já bem desenvolvido projeto de construção de um novo bairro de luxo, o setor noroeste, foi o mesmo setor imobiliário que avançou devastando, com as mesmas prerrogativas da “marcha para o oeste” que agora é levantada pela ala retrógrada do agronegócio. Em Brasília, a etnia dos Fulni-ô Tapuya – que está localizada no conhecido Santuário dos Pajés, onde hoje cresce este câncer de concreto e vidros espelhados chamado noroeste -, viu-se enclausurada pela mesma injusta Justiça brasileira. Também em Brasília, como outrora em 1500, parece que se espantaram, ao constatar que haviam índios na capital. Que fazer? Retirá-los, é claro! Nesse cenário, ficou famosa a frase do cacique Santiê: “índio é terra, não dá para separar”.

Pois bem, não aceitemos calados, pois seja pelas mãos da especulação imobiliária, seja pelas mãos dos ruralistas, nosso povo autóctone está ameaçado, AINDA!

VAMOS ÀS RUAS de todo o Brasil para impedir que uma desgraça maior se efetive!!!

#AVANTEALUTACONTINUA
#TATUDERRADO
#SOMOSTODOSGUARANIKAIOWÁ

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